Um dos fatores mais importantes ao analisar um poema é a contagem de sílabas poéticas. A essa prática, dá-se o nome de escansão.

De forma geral, escansão é a contagem dos sons dos versos. Essa contagem difere da simples separação de sílabas das palavras, pois segue as seguintes regras:

1)      Após a última sílaba tônica do verso, não contamos mais nenhuma;
2)      Podem-se fundir duas ou mais vogais de palavras diferentes, formando apenas uma sílaba poética.

Você deve se recordar das regras de acentuação tônica das palavras. Uma palavra é oxítona caso a sílaba tônica (sílaba mais acentuada, mais “forte”) seja a última. Por exemplo: ca-, in-te-ri-or, trem etc. Paroxítona é a palavra cuja sílaba tônica seja a penúltima: por-ta, co-ma-dre, de-ter-gen-te etc. Por fim, proparoxítona é a palavra cuja sílaba tônica ocorre na antepenúltima: -di-co, pró-te-se, an--do-to etc.

De acordo com a primeira regra acima, paramos a contagem de sílabas na última tônica do verso. Vejamos como isso funciona no poema abaixo:

SENTIDO
nesses dias
escassos
ainda não sei
ao certo
por que me levantei

A separação das sílabas poéticas ocorre da seguinte forma:

1)      Nes | ses | di (3)
2)      es | ca (2)
3)      a | in | da | não | sei (5)
4)      ao | cer (2)
5)      por | que | me | le | van | tei (6)

Os números entre parênteses indicam o número de sílabas poéticas do verso. Repare que, nos versos 1, 2 e 4, a contagem de sílabas poéticas difere da separação silábica. Isso ocorre, pois os versos terminam com palavras paroxítonas (“dias”, “escassos” e “certo”). Ou seja, a sílaba tônica é a penúltima e, portanto, a última sílaba do verso não é contada.

A segunda regra trata de um fenômeno chamado elisão. Elisão é o processo fonético em que há supressão de letras em uma palavra ou expressão. Por exemplo, “d’água” (de água).

A elisão também influencia a contagem de sílabas poéticas, como no poema abaixo:

NOITE
O tempo passando
Noite de vento suave
Saudade em meu peito

Neste caso, a escansão é realizada da seguinte forma:

1)      O | tem | po | pas | san (5)
2)      Noi | te | de | ven | to | su | a (7)
3)      Sau | da | de em | meu | pei (5)

Repare que, no terceiro verso, de + em é contado como apenas uma sílaba poética. Quando pronunciamos o trecho em questão, naturalmente suprimimos a vogal átona em “de” na junção com a vogal que inicia a palavra seguinte “em”.
Como escansão é a contagem dos sons dos versos, uma boa dica é ler em voz alta.

Veja também como os poemas são classificados de acordo com sua métrica.

Os poemas utilizados como exemplo são de autoria de Paulo Manso (autor de Foi-se e O Breve Momento de Existir).

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